terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Camas Molhadas


A dificuldade no controlo dos esfíníncteres pode obecer a múltiplas razões. Chamamos controlo dos esfíncteres à aquisição da capacidade para controlar o chichi e o cocó. Para consegui-lo, necessitam-se de três factores: o componente cultural – com as suas regras de educação, adaptação e higiene -, as características do meio familiar, e a maturidade do sistema nervoso, sem a qual seria impossível ensinar algo à criança. De outra forma, é provável que fracassemos e lhe provoquemos problemas futuros. Os três componentes são imprescindíveis, dado que embora a maturação do sistema nervoso permita à criança adquirir hábitos, o controlo dos esfíncteres não seria possível sem a participação dos pais, que por sua vez, também foram crianças e ultrapassaram esta experiência. Nada melhor em criança que a agradável sensação de expulsão, sem que interve-nha a aprendizagem da retenção, com o tempo de espera que implica chegar até à casa de banho.

O bebé e as suas sensações

O bebé experimenta uma tensão que ainda não reconhece como vontade de fazer chichi ou cocó, mas que lhe provoca desconforto. A expulsão produz-se, geralmente, de forma imediata, e a tensão diminui e fica associada a uma sensação de prazer. Nesta altura, o bebé nada sabe de limpeza ou de sujidade. Estes são conceitos que irá aprendendo com o tempo, pela mão dos seus progenitores. E chegará um momento em que ao bebé também o incomodarão as fraldas sujas.

Tudo uma aprendizagem

Habitualmente, o controlo dos esfíncteres adquire-se entre os dois e os três anos, e costuma conseguir-se primeiro com o cocó e mais tarde com o chichi. Só depois de que o controlo tenha sido alcançado e mantido durante um período mais ou menos prolongado, é possível falar de perturbações do controlo esfincteriano se a criança volta a fazer chichi ou cocó na fralda. Nunca antes, já que durante a etapa prévia terá lugar o processo normal de aprendizagem, no qual haverá diferentes fases de aquisição, avanços e retrocessos.

Perder o controlo

A perda do controlo na emissão de urina conhece-se pelo nome de enurese, e devemos distingui-la da incontinência. Falamos de enurese quando a emissão de urina é involuntária e inconsciente, e de incontinência quando é involuntária mas consciente, ou seja quando a criança não a pode controlar, mesmo quando o tenta por todos os meios. A perca de controlo na emissão de matéria fecal ou a defecação involuntária conhece-se com o nome de encoprose.

A importância do diagnóstico

Quando encontramos uma criança enurética ou com encoprose, é imprescindível efectuar o diagnóstico correcto. A primeira consulta deverá fazer-se sempre com o pediatra, que deverá investigar se existe algum problema orgânico, lesão, malformação ou infecção de algum tipo. Uma vez descartadas as causas físicas, podemos pensar numa possível origem psicológica. Num bebé, descobrir os motivos que desencadeiam um sintoma requer um traba-lho conjunto com a criança e com a sua família. Segundo parece, pode dever-se ao nascimento de um irmãozinho, ou a que os pais sejam demasiado exigentes, à perda de um ser querido, ao início da escola, ou talvez a uma separação ou uma decepção. Mas essas razões poderiam ser válidas para qualquer sintoma. Por isso, o importante é compreender o que a criança quer dizer-nos com aquilo que não exprime por palavras, tendo sempre em atenção a sua história pessoal.

O bebé e a sua família

De qualquer modo, estes sintomas não respondem a uma única causa, mas também dependem da personalidade do bebé assim como do papel que os seus pais desempe-nham. Cada criança e cada família são diferentes, e, embora as generalizações sejam úteis e até pedagógicas, porque facilitam a compreensão do tema, não quer dizer que as situações se apresentem em todos os casos da mesma forma. Haverá algumas características similares, e outras que não o são. Mas, geralmente, este tipo de dificuldades costuma ser mais frequente em crianças com determinada personalidade. E assim como algumas personalidades se tornam num terreno fértil para os sintomas, também existem famílias que favorecem mais do que outras esta problemática.

Enurese por quê?

A enurese costuma apresentar-se com maior frequência nas crianças retraídas, passivas, com sentimentos de auto-desvalorização, dependentes, com receios generalizados e necessidade de afirmar-se, que sofrem de grande ansiedade, pesadelos e terrores nocturnos. Também pode aparecer quando a criança foi submetida pelos seus pais a uma exigência muito precoce para que controlasse os seus esfíncteres. Em outros casos, pode representar um pedido de cuidados maternos ou um protesto face à sensação de abandono, mesmo que este não seja real. Outro motivo costuma ser a baixa tolerância da criança a situações que lhe provoquem frustração.

Encoprose

Esta perturbação costuma apresentar-se especialmente nas crianças com ansiedade generalizada, necessidade de auto-confirmação, baixa tolerância à frustração, que empregam a agressividade sem maturidade, e que têm dificuldade para partilhar momentos agradáveis com os seus pais e amigos. A relação com a figura materna encontra-se geralmente em conflito. São crianças muito dependentes da sua mamã, e mães ansiosas, emotivas e super-protectoras. Os papás geralmente encontram-se emocionalmente distantes, com características muito depressivas e passivas. Este sintoma parece ser utilizado como uma chamada de atenção ao pai para que intervenha na relação mãe-filho. A criança reclama uma imagem paterna sólida e tranquilizadora.

O que fazer?

O mais importante para a criança que sofre deste tipo de desordens é a contenção afectiva dos seus pais. Para isso, será necessário confiar nela, ajudá-la a que tenha confiança em si mesma, promover a sua autonomia gerando situações agradáveis que a façam sentir-se apreciada, e nunca a humilhar, nem sozinha nem em frente a outras pessoas. Devido a que se trata de uma situação que não somente afecta a criança mas também a família, e cuja solução costuma ser relativamente difícil, é fundamental que o grupo se encontre também contido dentro do âmbito do tratamento psicológico.

cteres pode obdecer a múltiplas razões.

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