domingo, 12 de outubro de 2008

Gosto de infância.


Dez entre dez crianças a-do-ram chocolate. Por isso é tão difícil dar um breque na comilança. Como encontrar o meio-termo e tirar o melhor proveito da guloseima, que, sim, está cheia de atributos?Tem para todos os gostos - branco, ao leite, recheado, amargo, crocante... As versões também são variadíssimas - barras, bombons, balas, pirulitos, brigadeiros, sorvetes... Se dependesse das crianças, a frase "todo dia é dia, toda hora é hora" seria lei. Sorte delas que o chocolate não é nenhum vilão. Na verdade, está lotado de nutrientes. Mas daí a ganharem passe livre para se empanturrar vai uma loooonga distância.No ranking dos especialistas, o chocolate amargo ocupa lugar de honra. E com muita razão, diga-se. Ele concentra boa quantidade de substâncias antioxidantes, que reduzem o risco de doenças cardiovasculares, é ótimo tanto para os adultos como para os pequenos. Além disso, apresenta propriedades antiinflamatórias, melhora o humor e dá o maior pique.
Só que, na preferência infantil, a versão amarga perde para a textura macia e o sabor adocicado do chocolate ao leite e companhia. E é aí que mora o perigo. "No processo de fabricação desses tipos, entram as maléficas gorduras saturadas", argumenta Priscilla Efraim, engenheira de alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos Chocotec (Ital), de Campinas. "A versão diet só se diferencia por não conter sacarose. Então, está liberada para os diabéticos. Já o orgânico não tem nenhum tipo de aditivo químico na sua composição." Sem dúvida, é um ponto a favor deste último, mas... infelizmente, as tais moléculas gordurosas, nada saudáveis, também marcam presença.
A gordura não é o único senão. "Por causa também do teor elevado de açúcar, o exagero pode levar à obesidade e aumentar a incidência de cáries", alerta a engenheira de alimentos.
E qual seria, então, a freqüência de consumo ideal? A pergunta divide os experts. "O melhor é evitar comer todo dia", aconselha a nutricionista Valéria Rangel, da Nutrival, em São Paulo. Priscilla Efraim rebate, dizendo que a guloseima pode, sim, ser ingerida diariamente, desde que em pequenas porções. "A dica é partir uma barra em pedacinhos e oferecer um pouco por vez." Para não deixar nenhuma margem a dúvidas, a nutricionista Adriana Servilha Gandolfo, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo (FMUSP), resume, numa frase, um conceito sobre o qual especialista nenhum discute: "Criança tem que ter hábito alimentar saudável, com ingestão de frutas, verduras, legumes e pouca gordura".

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